O novo documentário do Oasis, “Don’t Look Back In Anger”, estreou hoje no Festival de Veneza e já entregou uma cena que, por muitos anos, pareceu improvável: Noel Gallagher falando de Liam Gallagher com ternura, admitindo que chorou durante a turnê de reunião e usando uma palavra que ele mesmo jamais imaginou associar ao irmão.
No filme, que acompanha por dentro a turnê “Live ’25”, Noel conta que foi surpreendido pela própria reação ao voltar a dividir o palco com Liam depois de tantos anos de afastamento.
Segundo ele, em boa parte da sequência de 41 shows, precisou virar de costas para o público para esconder as lágrimas.
“Todas as pequenas coisas que costumavam nos irritar um no outro desapareceram”, diz Noel em um trecho da entrevista. “Saímos disso agora como iguais.”
A frase pesa dentro da história do Oasis porque a relação entre os irmãos sempre foi uma das forças centrais da banda, tanto para o brilho quanto para o colapso. Durante anos, Liam e Noel sustentaram uma das brigas familiares mais públicas da cultura pop, entre farpas em entrevistas, provocações nas redes e a impressão de que qualquer reconciliação ficaria eternamente no campo do impossível.
Em outro trecho, Noel vai ainda mais longe: “Aqui está uma palavra que eu nunca pensei que diria sobre ele: encantador.”
Para fãs acostumados a ver os Gallagher em guerra verbal por décadas, o comentário soa quase tão surreal quanto a própria volta da banda. Noel também descreve uma convivência agora mais simples, cotidiana, quase doméstica.
“Nós nos damos bem agora, trocamos mensagens como pessoas normais.
A música nos uniu.”
O filme acompanha ensaios, bastidores, apresentações e a reação dos fãs, mas os trechos de Noel indicam que o centro emocional da narrativa talvez esteja na reaproximação entre dois irmãos que transformaram sua relação em mitologia pública.
“Don’t Look Back In Anger” terá sessões em diversas salas de cinema do Brasil nos dias 10 e 12 de setembro. Semanas depois, o documentário será lançado no streaming pelo Disney+.


